26 de julho de 2013

Nossas Mentiras

Imagem Margarita Georgiadis 

Queres que lhe negue minhas mentiras
Então não dei-me suas juras falsas
Essas promessas vãs nunca cumpridas
Guarde pra ti esse amor que não pedi
E não venha jogar-me a face
o que não lhe supliquei

Guarde as tuas desculpas
para quem as mereça
Eu não as quero ouvir

De ti espero apenas aquilo que posso oferecer:
Do momento meu silêncio,
Do intimo meu desprezo,
Dos meus lábios a frieza,
E de meus olhos mentiras

Essas que tu ofereces sem pensar
Que tu condenas sem que eu lhe solicite opinião
Estas mesmas as quais não dou importância

Tuas verdades repugnantes
Não modificam as minhas
Tua pureza não contamina esse Eu amargo
Que destilo mergulhado em fel

Esse rancor irremediável que trago no peito
É o mesmo amuleto que me definha
Que defende-me da ilusão  oferecida por teus olhos
Cheio dessa confiança de si mesmo
Do poder que outrora teve sobre meu pensar

Inverdades que aprisionavam
Hoje prisioneiras inofensivas
Não queres receber de mim minhas mentiras?
Então não dei-me suas falsas juras.


Imagem Margarita Georgiadis 

5 de julho de 2013

Adeus


Imagem Zhaoming Wu

Realmente o desejo cessou- se.
Por ironia da noite que embalava o reencontro
Ouviu-se o som de foguetes estralarem o céu
Quando os nossos lábio enfim se encontraram.

Era pra tudo aquilo ali ser extasiante 
Mas sentir o seu corpo desejar o meu 
Não causava-me nenhum arrepio
Talvez repulse de mim mesma 

Por estar mais uma vez ali 
Entregue aquele momento sem prazer em o sentir 
E eu ali rendida outra vez em seus lábios 
Sentia uma indiferença por mim mesma e a tudo

E eu sai de lá ouvindo sua voz dizer fica 
Porém com toda certeza que deveria ir 
Dessa vez sem ressentimentos, despida de saudades 
Completamente saciada do sonho que outrora me prenderia ali.

Imagem Zhaoming Wu

24 de junho de 2013

Faço Versos (Autor: Isac Alexandre dos Santos)

Imagem site The Nuts Net.


Faço versos

Mas não sou poeta
Fazendo de pontos
Virgulas, o que para alguns e dor
outros enxergam esperança amor

Ventos sulinos
Que mexem com as emoções de homem
Ou simplesmente menino
Querendo Sutilmente saber
Onde mora você

É felicidade, sou como qualquer um
Por que me tratas com tal parcialidade
E sozinho sinto mais mais uma vez
O vento frio sem esperança
Sem a felicidade desejada.



Autor: Isac Alexandre dos Santos

Quem sou?


Imagem Google Imagens

Queria saber afinal, quem é essa massa que me forma!
Mas as respostas ainda são vagas
Empurram-me para um lado
Desfazem em correria e delongam em retornar.

Não sou apenas eu! Todos correm contra o tempo 
Em busca das respostas que se corrompem
Ignoram assim muita coisa...
E nesse meio tempo inteiro, perco-me cada instante mais

Desconheço minha essência, meus desejos
E até meus valores se confundem em minhas escolhas!
No fundo não sou apenas essa que salta aos olhos 
Sou também um mostro que assombra o íntimo

Da doçura a mais amarga sensação 
Entre o limite do amor e o ímpeto do ódio
Sou uma busca errante da perfeição
O desalinho entre o início e a fronteira de um ser.

Em busca de conclusões insaciáveis
Na corrente insana por essa sobrevivência ingrata
Fico assim no silêncio, entre dúvidas e incertezas.
Morro a cada instante tentando apenas viver o segundo.

Imagem Karol Bak

Sou eu ou é você?

Imagem site HD Wallpaper of Girls
Não é o seu cheiro, sua voz
Sua aparência ou seu jeito
Não são seus gostos
Nem teu modo de pensar

Não é sua vida, sua casa ou suas escolhas
É uma imagem, um desejo que criei
É um sonho ausente que persiste
Em acordar em mim

É minha própria mente idealizando
Isso que chamo de amor
E fazendo você de figura
Sustentando o vicio da dor

Não é a matéria que você alimenta
Nem os músculos que exercita
É a forma que eu desenho
A voz que recrio, os passos que eu dito

Esse você que eu amo
É muito mais eu
É meu desejo personificado
Usurpando a imagem que teus traços desfilam

É sonho de pernas curtas
Que sempre acorda em tua porta
Morre nesses olhos seus
Que só existem mesmo em mim

Nessa verdade crua
Que esmaga meu sonho ardente
Que te leva, te arranca
Acorda-me, desfaz

Não são suas escolhas
É minha vontade posta em prática
Em pleno exercício
Desse meu desejo insano

Dessa loucura fascinante
Que faz-me propriedade de mim mesma
Sem ainda me poder dar, nem ter
Não é você. Sou eu.


Imagem Alcínio Vicente

14 de junho de 2013

O Caderno



Sou eu que vou seguir você
Do primeiro rabisco
Até o be-a-bá.
Em todos os desenhos
Coloridos vou estar
A casa, a montanha
Duas nuvens no céu
E um sol a sorrir no papel...

Sou eu que vou ser seu colega
Seus problemas ajudar a resolver
Te acompanhar nas provas
Bimestrais, você vai ver
Serei, de você, confidente fiel
Se seu pranto molhar meu papel...

Sou eu que vou ser seu amigo
Vou lhe dar abrigo
Se você quiser
Quando surgirem
Seus primeiros raios de mulher
A vida se abrirá
Num feroz carrossel
E você vai rasgar meu papel...

O que está escrito em mim
Comigo ficará guardado
Se lhe dá prazer
A vida segue sempre em frente
O que se há de fazer...

Só peço, à você
Um favor, se puder
Não me esqueça
Num canto qualquer...(2x)


Composição: Toquinho / Mutinho


7 de junho de 2013

Inquietação

Imagem James Tissot III

...Foi ai que me dei conta do quanto estava apaixonada

O telefone não soava e a mensagem não chegava...
Enfim quando chegou, a frieza exposta nas palavras
Tão diferentes das normalmente proferidas
Feriam a alma, pareciam como estocadas
E o silêncio amargou de uma forma torturante
Tendo ainda como agravante, meu cruel inimigo, a Distancia.
Eu não podia sair correndo ao seu encontro
Ligar desesperadamente em todos seus telefones
Ou lhe bater a porta como talvez faria.

Imaginar toda essa distância que nos separa
Foi torturante e o desespero tomou conto outra vez
Ao imaginar as possíveis causas da sua falta de palavras
Era medo. Algo acontecia e eu não o podia proteger.
As mãos começaram a soar e a cabeça não parou dali em diante
Apenas meu corpo estava ali, a mente e o coração vagueavam
Insistiam em vão em ir de encontro a um outro alguém.
Foram horas castigantes, e o tempo mal passava

Cada segundo marcava de forma abrasadora
O que ainda restava de mim
Não era aqui onde queria estar, não era onde eu devia
Outra vez vieram-me a mente todo o espaço tempo
Que existia entre nós, confesso que houve medo,
Medo dos pensamentos que assolavam minha mente
E faziam-me tentar desistir quando o que eu mais queria
Era sair daqui correndo e ir ao encontro dele
Curar as possíveis feridas e silenciar de vez o que lhe causava mal

Cortava de forma profunda
Convencer-me que o muito que podia fazer
Era sentar e esperar o tempo passar, 
A inquietude, refletia-se nas pernas
Que assim como eu, não se acalmavam, não podiam.
A preocupação fazia-se senhora

Enfim um sinal... O peito agita e a euforia toma conta
Suas palavras exalam uma amargura contra sim mesmo
Como se lutasse contra sua própria mente, contra esse interior
Que insiste em tentar nos derrotar,
Sei que minhas palavras são poucas e
Sinto-me ainda mais frágil diante da veracidade disso.
Nada posso fazer... se ao menos o pudesse dar um abraço,
Talvez assim calaria esse aparente monstro que te rouba o sossego

Meu coração ainda está doendo muito,
Assola minha mente perguntas castigadoras,
São interrogatórios que faço a mim mesma 
Tentando entender o que se passa em sua mente
Aqui já o perdoei centenas de vezes, o que julgo nem ser necessário

O problema é que sua dor parece minha e eu mal o posso compreender...

Imagem James Tissot III

27 de maio de 2013

Nua

Imagem Adriana Garibaldi

Você revela a parte mais fraca em mim
Poe a vista meus erros, minha fraqueza
Expõem meus defeitos de tal forma
Que eu passo a repudiá-los

Porém é o único que me tem nua.
Despida de medo, valores, de princípios
Você tem de mim, da mentira a mais pura verdade
E consegue decifrar cada gesto meu

É incrível como pode me desarmar
Com mesmo um som a quilômetros de distância
Não há tempo que possa separar essa cumplicidade
Ou sentido que desminta as razões que te fazem presentes.

Sua lembrança ausente ainda é o mais palpável
Que consigo chegar desse sonho que insisto em materializar
Deste você para o qual me entrego sem escrupulosos
Seja na dor, que você mesmo causou ou na alegria que desconheces.


Imagem Adriana Garibaldi



17 de maio de 2013

O Peso do Silêncio


Imagem Leonid Afremov
... E que você não ouviu as juras de amor que eu te fiz
Meu Choro não conseguiu dizer o quanto você me faz falta
Ou o quanto seu abraço me acalma
Como até seu silêncio, na presença, me faz bem

Não soube dizer todos os pra sempre que calei
O Agora passou rápido
...Dei muito mais de mim do que pude esconder
Se ao menos meus olhos interpretassem os seus...

Quis dizer o quanto era amor
O quanto de paixão ardia em mim
Mas caso tenha entendido, soube bem disfarçar
...E o Agora já é tão tarde 

Minhas palavras valem tanto ou menos que meu silêncio 
Já não vão perpetuar ou decepar nada que exista 
Ainda assim viajei em cada som do teu abraço 
Quis decifrar o teu olhar, desvendar o seu sorriso 

Mais compaixão que carinho? 
Quis ainda dizer além do que conseguir 
Precisei preservar. Guardei tanto para você 
Mas simplesmente tive que conter. 

Do tolo ao mais verdadeiro amor 
...Porém não pude demonstrar, não consegui. 
Ainda assim quis você a ponto de bagunçar minha cabeça 
Sacudir meus pensamentos e ignorar a razão. 

Quis você fazendo-me mudar tudo o que sou 
Desorganizando outra vez minhas idéias 
...Se ao menos você quisesse... 
Não precisaria mais calar 

Não mais passaria um instante 
Sem te dizer o quanto te amo 
Nem deixaria o silêncio falar tão alto 
A ponto de tentar esconder o que sofro em conter. 

Imagem  Leonid Afremov


Nayane Kastter 
15/09/10 às 00:39 hs 

15 de maio de 2013

Tempo



Imagem Garmash Dreaming

Olho ao redor buscando o seu olhar,
Tentando nos encontrar no tempo que ficou perdido
Nessas lembranças só minhas que te distanciam ainda mais.
Vasculho em busca dos anos que envelhecem, distante.

Repasso fotografias, releio minhas cartas
É você presente em todas as linha
Estampando o sorriso que preenche a foto
Descrito nas palavras que parecem chorar

São anos que aumentam o abismo
Insistindo assim em desmentir a razão
Que solidária, julgou que este primeiro
Um dia o levaria de vez daqui...

Engano o nosso, esse passado pobre de lembranças
Tem persistido e rendido aos milhares
Alimentando o peso do desprezo que sinto por mim mesma
Enquanto finjo destilar o amor que me foi negado

Olho outra vez ao redor, é você em cada canto
Testificando minhas mentiras
Fazendo verídicas minhas falhas
Ousadias que se tornaram reais na sua falta

Fechos os olhos. Sei que não está.
Te esqueço por um instante. 
Ainda assim, o procuro em mim, no pensamento
Nas paredes, no espelho, em todo lugar.