21 de janeiro de 2013

Derradeiro


Já desfiz minhas malas,
Rasguei minhas palavras
Calei tuas mentiras
Despi-me de nós

Nossas coisas estão jogadas pelo chão
Culminando o que sobrou
São sonhos, planos.
Verdades que tornaram-se mentiras

Tem poeira habitando o que ficou
De todo aquele amor.
E o cheiro já não é o teu perfume.
Agora nem mágoa, nem rancor.

Traças corroem o que sobrou 
Faz em sobejo o que permaneceu guardado
Findaram-se as lembranças, 
Levou consigo a saudade


As malas estão desfeitas,
O tempo lhes foi ingrato, confesso.
Quem as tem posse hoje é o mofo, 
Esse mesmo que cresceu aqui no peito

Não são apenas objetos
É história contada em detalhes
É o fim descrito sem palavras
É o silencio contido na mágoa


Saudade, vontade, desespero.
O fim não imaginado, a queda dos sonhos.
Nossas coisas estão espalhadas pelo chão, 
Hoje só minhas, porém ainda assim tão suas...

Aos poucos vou o deixando
Apagando da lembrança,
substituindo a memória.
O arrancando de mim.

E teu cheiro já não sinto na pele. 
E cada cor, cada objeto, 
Cada detalhe com a nossa cara
Vai deixando de o ser aos poucos 

Suas escolhas que hoje desconheço
Estão tatuadas nesses objetos estranhos 
Que um dia completaram o sonho 
Criado por amor, Amor que hoje já não existe...

Espalhados pelo chão estão meus planos.
Suas escolhas que já foram as minhas.
Nossos sonhos, nosso passado, minha vida.
Tecidos apenas, lembranças gravadas. 

Hoje passado arrancado do peito
Nem mágoa, nem dor, nem amor.
Lagrima derradeira
Quiçá enfim, ultimo pensamento.

9 comentários:

  1. Muito bom seu blog, seu post também. Dá uma música bem legals...

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    1. Sério?? Pode compor a melodia então que agente divide o sucesso, rsrs

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  2. Muito lindo seu poemaa.. foi meSmo quem escreveu? Parabens.. É, da pra fazer uma musica mesmo.. kk

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    1. Oi Daih, Fico feliz que tenha gostado, foi eu sim quem escrevi, Obrigada !!

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  3. Estou online no facebook. Daih Cristina

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    1. Obrigada Janice! Feliz que as palmas aumentaram, rsrs

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  5. Olá, Nayane.

    Descobri seu blog através da "Libertária!". E vim aqui ler um pouco mais das suas produções. É sempre bom conhecer mais gente apaixonada por poesia.

    Gostei da imagem desses versos no poema:

    "Tem poeira habitando o que ficou
    De todo aquele amor."

    Traz um pouco desse poder do tempo e a destruição daquelas coisas que nós deixamos pra lá.

    Voltarei com calma para ler mais.

    Forte abraço,

    J.

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  6. Muito bom seu poema Nay... triste e belo como o amor deve ser...

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